sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Relações Mascaradas

“Caso ou compro uma bicicleta?”

Com essa brincadeira foram debatidos três assuntos realmente sérios: relacionamento, namoro, casamento.

Muitos dizem se arrepender de ter casado. Segunda a amiga Érica, elas não deveriam se arrepender do casamento, mas sim de um namoro mal feito. Um namoro baseado em ilusão,

Muitas pessoas comentam que “o casamento é uma instituição falida”. Muitos se casam por pressão sócio-religiosa. Assim, como virá a velhice ou a morte, ou a árvore dará fruto a seu tempo, também virá o casamento.mascarado. Vamos chamar isso de Relação Mascarada.

Mas, nesse debate, que começou com a brincadeira, foi-me explicado que, na verdade, os problemas do casamento estão intimamente relacionados com as relações mascaradas do namoro.

Quando se conhece uma pessoa e se enamora por ela, passa-se a ter uma relação mais íntima, o namoro, em que as pessoas estão buscando a comunhão. Estão preenchendo a necessidade afetiva, que é natural. Um dos maiores medos do ser humano é a solidão.

Quando se está apaixonado deseja-se a constante presença daquela pessoa a quem se direciona esse afeto. Uma maneira de mantê-la próxima é manter com ela uma harmonia, uma serenidade.

Dessa forma, compartilha-se os mais belos sentimentos e momentos. Porém, pessoas, em sua maioria, têm problemas, preocupações, vaidades, dias ruins. Na necessidade de manter essa pessoa especial feliz, e até por amor mesmo, buscam poupar o companheiro, ou companheira, de suas aflições.

Muitos se despem de suas preocupações e até de suas vaidades ou orgulho por amor e pelo bem do parceiro. Deixam de compartilhar situações conflituosas, tanto profissionais como familiares, no intuito de disfarçar a parte ruim da vida. Significa dizer que o companheiro não tem consciência de tudo que se passa com o amado durante o relacionamento denominado namoro.

Isso pode funcionar no namoro. A partir do momento em que ambos decidem entrar no casamento, a convivência se torna plena e constante. Nessa etapa, o rupo familiar antes composto de pais, irmãos, tios e o grupo profissional composto por colegas e chefes, já não participa tão ativamente da convivência diária quanto o companheiro do relacionamento. Agora, compartilha-se também as inseguranças e os vícios, sendo que o casal já não conseguirá mais esconder de si mesmo todas a preocupações, as aflições, a vaidade ou as tristezas que os atormentam. Já não há somente a comunhão harmoniosa. Surge a convivência com manias, implicâncias, problemas cotidianos, defeitos novos, sentimentos novos, enfim, personalidades diferentes e desconhecidas até então. Eis a complexa questão: afinal a pessoa do namoro é a mesma pessoa do casamento? Realmente havia conhecimento suficiente de ambos para a etapa do casamento?

É preciso atentar-se para o fato da culpa. Após conhecer e aprender um novo lado do companheiro, é comum procurar o momento certo da falha e por unanimidade sempre é o namoro. Aquele namoro repleto de alegrias e felicidades tornou-se um casamento frustrado e infeliz. Mentira, o namoro simplesmente era mascarado da realidade e da comunhão completa. Dividia-se momentos positivos e evitava-se os momentos negativos que são inevitáveis dentro de uma convivência conjugal.

O companheiro passou a ser o único responsável por dividir os momentos negativos que antes eram compartilhados com os pais e amigos. Esses momentos passam a ser a realidade do casal que não se preparou no relacionamento inicial. É a tentativa de adiar a vida que frustra o homem.

Para quem acredita na instituição casamento, ela começa com uma verdadeira relação e comunhão, tanto das virtudes e como dos vícios, no namoro. Isso, sim, dará uma verdadeira base para que se possam compreender como casal e como família.

Para refletir: Pode-se mudar/moldar uma pessoa? Se uma pessoa carrega um vício durante o namoro, livrar-se-ia desse vício no matrimônio?


Um comentário:

  1. Boa iniciativa: repensar a relação desde o princípio ao invés de culpar somente o casamento. Mas não é somente o casamento que está perdendo o valor, é o compromisso como um todo. Acho que muitos diriam que seria impossível sequer namorar se você não usa máscaras. Aquele se mostra com todos os seus defeitos fica menos atraente no mercado do que aquele que seleciona somente seu melhor ângulo. As pessoas se atraem por imagens "photoshopadas", e não por outras pessoas de verdade. Cada vez mais, as pessoas apenas odeiam ou são indiferentes às outras pessoas.

    Penso que não apenas não podemos mudar uma pessoa, como seus vícios ficarão ainda piores no casamento. É tendo consciência disso que se deve decidir pelo casamento.

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